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ANO NOVO – NOVAS ESPERANÇAS - 03/01/2013


O novo governo tem uma grande tarefa pela frente


 

Toda virada de ano é igual. Além da folhinha do calendário virada, arrancada ou até mesmo o calendário inteiro jogado fora, brindamos o novo, festejamos bebendo e comendo o que podemos e o que não podemos, geralmente de frente para o mar, que representa o infinito, o mistério ou alguma crença maior, particular a cada um, mas sempre com a esperança renovada. É como se nossos gestos fossem uma metáfora do nosso subconsciente, ou seja, virar o destino, arrancar as dores, as angústias e erros passados, jogar fora tudo o que nos é prejudicial e reinventar as esperanças de uma vida nova em um ano novo. E aí vêm as promessas que parecem tão inatingíveis e que acabam se perdendo a cada folhinha de mês deixada para trás.

Este Ano Novo teve comemoração dupla, quase catártica e libertadora, por dois motivos: o mundo não acabou, mais uma vez, e um novo governo assumiu uma prefeitura arruinada e agonizante, que depois de 12 anos, mudou de mãos e cérebro. É como uma caixinha surpresa que estamos ansiosos para que se abra e nos presenteie com algo recompensador. Depositamos todas as nossas esperanças na nova prefeita e desejamos que ela atinja e até mesmo supere nossas expectativas.

O início do ano também foi marcado, mais uma vez, pelas forças da natureza, que veio para nos desafiar, como uma provação, não só para o novo governo, mas também para nós, simples mortais. As chuvas inundaram vários bairros, causaram desmoronamentos, ferimentos e morte. Podemos imaginar que é o choro desenfreado de 2012 ou a emoção de 2013, mas, o importante é sabermos o quanto somos vulneráveis diante da imensidão do universo e da natureza temperamental.

O novo governo tem uma grande tarefa pela frente, considerando a atenção para a extinção das áreas de risco, com obras realmente definitivas e duradouras e não máscaras que podem cair a qualquer previsão de chuva. O novo governo deve satisfazer as necessidades de seu povo, que o elegeu. E o que queremos para Angra? Queremos que realmente nossa cidade tenha as características de uma cidade turística. Que tal a volta do Trem da Mata Atlântica, com a reativação da antiga linha férrea, à moda de cidades como Ouro Preto e Mariana e as cidades da Serra Gaúcha, onde os turistas apreciam belas paisagens através das janelas de um trem turístico? E que tal um programa de qualificação para os trabalhadores que têm contato com o público, não só com turistas, mas também com a população em geral, que merece respeito? Qualidade no atendimento, solicitude, conhecimento técnico, gentileza e presteza.

E a cultura? Por que não aproveitarmos espaços abandonados e transformá-los em pontos de cultura, bibliotecas ou espaços culturais, onde todas as artes se integrariam e os artistas teriam a oportunidade de mostrar seu trabalho para a apreciação do público, que necessita da contemplação do belo. Vide o F.A.S (Festival de Arte e Sustentabilidade), que aconteceu em outubro, na Japuíba, realizado pela SPAsophia Cultura & Arte.

Angra também pode ser uma cidade do esporte. Temos um mar imenso que pode ser explorado para esportes aquáticos. Pode-se incentivar a prática do esporte, usando o mote das Olimpíadas e da Copa que acontecerão no Brasil em data próxima. Podem-se promover campeonatos diversificados, renovar o incentivo das escolinhas já existentes... Há muitas alternativas. Basta nos mexermos.

E a saúde? Precisa de muita saúde, porque está à beira da morte. Que os UPAs realmente funcionem da forma a que se propuseram. Que o hospital da Japuíba seja verdadeiramente inaugurado e a Santa Casa seja socorrida e salva. O povo está cada vez mais doente e a estrutura não está acompanhando a demanda. É necessário que os postos de saúde realmente executem seu papel, tenham funcionários capacitados e qualificados para prestarem serviços humanizados, já que estão lidando com a vulnerabilidade humana.

O povo precisa de Educação. Sem Educação, o cidadão não se torna questionador, se transforma somente em um ser alienado, robotizado, sem opinião, ignorante sobre seus direitos e deveres. As crianças e jovens mudaram, ou melhor, evoluíram e a educação não se mexeu. É preciso promover um cataclismo no sistema educacional, mas isso não depende só do Município, sabemos. Porém, existem formas de diferenciá-la para acompanhar a evolução intelectual vigente, qualificando os mestres e exigindo temas atuais e pertinentes, promovendo parcerias com outras entidades integradas à educação e cultura. Só assim, pode-se alavancar nossa Educação.

Enfim... Há muitas formas de iniciarmos um novo ano e um novo governo, basta integridade, valores elevados, uma reviravolta em nosso íntimo e conduta perante o próximo e a nós mesmos, responsabilidade, compromisso e acima de tudo... Vontade!

 

Texto: Denise Constantino

Colaboração: Carmen Amazonas