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RIO+20 - 26/07/2012


Balanço do maior evento sobre o desenvolvimento sustentável mundial


 

            A RIO + 20 terminou dia 22 de junho do mesmo jeito que a Rio 92 – sem uma solução concreta e objetiva e sem agradar à sociedade civil, que vaiou no momento da apresentação do texto final, denominado “O Futuro que Queremos”, pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. O texto, com 49 páginas, postado no site da ONU (não tem em português) só agradou às autoridades brasileiras, enquanto alguns líderes estrangeiros, cientistas, empresários, economistas e movimentos sociais demonstraram sua contrariedade, alegando falta de ousadia e ambição e criticando sua legitimidade. A diretora do WWF, Yolanda Kakabadse disse que foram desperdiçados 150 milhões de dólares para produzir um texto “fraco, sem ossos e sem alma”. Não há metas e nem esclarecimentos sobre a origem do financiamento para o implemento do desenvolvimento sustentável que tem a promessa de alavancagem somente para 2015. Serão necessários indicadores claros e objetivos para medir e acompanhar a implementação. Nada disso foi definido. Líderes importantes, como dos Estados Unidos, da Alemanha e da Inglaterra deixaram um buraco no maior fórum sobre o desenvolvimento sustentável mundial, deixando valer a tese dos EUA, de cada país por si.

            O documento “O Futuro que Queremos” é uma lista de promessas que explora repetidamente os verbos “reconhecemos”, “reafirmamos”, “destacamos”, “resolvemos”, “apoiamos”, “nos comprometemos”; enfim, parece um discurso político. Como disse o economista e pesquisador, Jeffrey Sachs, bons tratados não bastam, é preciso pressionar os governos a implementá-los. Os governos assumem muitas coisas e não cumprem porque a sociedade não se organiza para pressioná-los. Nós, cidadãos, temos de nos comportar como acionistas do país onde vivemos, é assim que devemos ser tratados. E a educação é a chave fundamental para essa revolução. Esta é a opinião de Maurice Strong, um dos mentores da ECO 92. Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em 2030, precisaremos de 50% mais alimentos, 45% mais energia e 30% mais água e a população será de 9,5 bilhões de pessoas. Se não houver mudanças no modelo de produção e de consumo, precisaremos de quase 4 planetas para suprir toda a demanda.

            Enquanto os líderes mundiais discutiam para chegar a um quase nada em comum, suas esposas, guiadas pela esposa do vice-presidente, Marcela Temer, assistiam no Palácio Itamaraty a um desfile de joias. Talvez para deixar claro a desigualdade social, enquanto o povo enchia o Aterro do Flamengo, numa grande Torre de Babel, mas com uma só vontade: pedir um tratado justo, digno e comum a todos. Como disse a menina prodígio da ECO 92, Severn Suzuki, “não podemos valorizar o planeta apenas pelo lado do dinheiro”. “A sociedade colhe frutos de décadas de fracasso no combate à pobreza. Não haverá desenvolvimento sustentável tendo padrões de consumo insustentáveis”, palavras de Boaventura de Souza Santos, professor da Universidade de Coimbra.

            Mas, não foram somente decepções que marcaram a Rio + 20, houve crianças plantando árvores, simbolizando a semente que germinará e dará bons frutos no futuro; houve protestos polêmicos e desnudos de qualquer pudor; teve o sucesso na exposição “Humanidades” no Forte de Copacabana; teve o encontro informal de povos de todos os cantos no Aterro do Flamengo, cada um demonstrando a que veio, mostrando sua cultura, sua proposta, suas idéias; teve a palestra de Leonardo Boff aplaudida por um público entusiasmado e emocionado com a Carta da Terra, o verdadeiro mandamento do desenvolvimento sustentável para um novo mundo; teve a maravilhosa instalação de Vik Muniz, onde mais de 5000 visitantes participaram levando um lixo reciclável; teve o nosso angrense Valentin – O Menino Verde, desfilando e distribuindo folhetos com sua mensagem em prol da sustentabilidade, atraindo fãs e curiosos para fotos; teve alegria, música, vontade de participar e acima de tudo, houve esperança.

            No mais, não posso deixar de expressar minha opinião. A despeito de qualquer decisão das lideranças mundiais, tenho certeza de uma coisa: precisamos de uma nova educação. Se fomos educados de um jeito, temos de mudar nossa cultura e urgente. A Terra não nos suporta mais, devemos nos retratar. Aí vocês podem questionar: por que mudar nosso pensamento se os ricos não mudarão e continuarão usurpando os bens naturais para seu conforto? E respondo que estão certos nesse questionamento, é assim mesmo que acontecerá, mas tenho a convicção de que aquele que não aprender por amor, aprenderá pela dor. Façamos a nossa parte e mais a frente nos regozijaremos, porque no futuro todos estaremos no mesmo patamar, com as mesmas dificuldades e em busca das mesmas soluções, não importa a classe social, a cor, o sexo ou a religião. O homem é inteligente por natureza e sobreviveu a várias intempéries ao longo dos anos. Acredito que aparecerão medidas e soluções que surgirão nas mentes dos homens de bem e estes homens estão entre nós, pode ser você, seus filhos, pode ser qualquer um de nós, basta dar o primeiro passo.

 

Por: Denise Constantino

Fonte: O Globo on-line