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AS BICICLETAS DE DAVID BYRNE - 10/07/2011


A vantagem do uso da bicicleta - FLIP 2011


A mesa 16 da FLIP 2011 apresentou David Byrne, o criador dos Talking Heads, que defende o transporte alternativo como forma de contribuir para a não poluição do meio ambiente e costuma pedalar sua bicicleta pelo mundo todo, inclusive quando viaja em turnês. Seu livro Diários de bicicleta relata suas impressões e vivências das cidades por onde passou. Segundo Byrne, a cidade é lugar de encontro, de troca e por onde viajou viu muitos espaços ociosos e abandonados e cidades mal estruturadas fisicamente. Antes de ser anunciado, foi exibido um vídeo sobre a bicicleta retratada no cinema e sua palestra foi ilustrada por slides de cidades que conheceu, apontando falhas e as melhorias possíveis. David Byrne chamou a atenção para áreas que são zonas mortas, que só servem para estacionamento, onde não há lojas, praças, nenhuma interação entre as pessoas. Um de seus slides tratava-se de uma Plaza na Itália, onde não é proibido entrar carros, mas acabam não trafegando, dando a preferência para os ciclistas. Dá exemplos de cidades, como no México, de ruas que em alguns dias são só utilizadas pelos pedestres. Ele disse que as cidades podem ser transformadas de várias formas e citou exemplos inclusive no Brasil, como o grupo Afro Reggae, que vem transformando as favelas. Citou também as favelas da Holanda, que tiveram as casas todas coloridas para ficarem mais receptivas.
A vantagem do uso da bicicleta é que nos proporciona uma maior visão das paisagens e dos problemas urbanos, que muitas vezes são ignoradas quando estamos de carro. Lembrou que o uso de bicicleta faz diminuir o número de acidentes de automóveis. David contou que há cidades que incentivam o uso de bicicleta com descontos em impostos, através de um sinalizador que é colocado na bike. Outro exemplo citado por Byrne, no Brasil, foram as faixas de pedestres e ciclistas por toda a avenida de Curitiba e que foi copiado por Bogotá. Citou Copenhague, Berlim e Amisterdã como as cidades que possuem as melhores ciclovias, dentre as que conheceu.
Seu companheiro de mesa, o engenheiro Eduardo Vasconcellos, expôs de forma realista a questão do transporte alternativo no Brasil. Começou dizendo que muitas alternativas que servem para países ricos não são eficazes para países em desenvolvimento. A cidadania e a democracia em países ricos são mais fortes e são novas e frágeis em países emergentes. Quem é pedestre e usa bicicleta como meio de transporte não tem influência nas políticas públicas e não conhecem os poderes e interesses que existem por trás dessas políticas. Nós construímos cidades hostis e perigosas para pedestres e ciclistas. Os ricos que têm automóveis consideram essas pessoas como de classe inferior, são pró-automóveis, não usam transporte público, são os que causam mais poluição, consomem mais energia e causam mais acidentes. Primeiro, temos que combater o mito de que os automóveis são a solução para o transporte e criar uma conscientização nas pessoas, gerar conhecimento e educação. Mas, a reformulação tem de ser devagar, porque haverá muita oposição de quem tem automóveis e motos.
Convenhamos, é difícil imaginar um executivo de terno e gravata indo para seu escritório em plena Avenida Paulista, de bicicleta, ou entrando em um ônibus super lotado e ir espremido entre a multidão. Porém, devemos pensar que como a maioria é a classe que se sujeitaria a experimentar um transporte alternativo como a bicicleta, podemos ter esperança de que um dia nosso planeta seja menos poluído. Resta aos inseparáveis dos automóveis o respeito no trânsito àqueles que pensam em um planeta melhor. Em Angra dos Reis, por exemplo, existem muitos usuários de bicicleta, principalmente no bairro Grande Japuíba, que cresce cada vez mais. Uma boa opção seria a construção de uma ciclovia ligando esse bairro ao centro da cidade, o que tornaria a vida dos usuários mais fácil e mais segura. David Byrne nos mostrou como deveria ser, Eduardo Vasconcellos nos contou a realidade caótica das grandes cidades do Brasil e nós devemos nos conscientizar pelo menos de uma coisa: é nosso dever pensar e praticar a sustentabilidade de nosso planeta. 

Por: Denise Constantino
Foto: Carmen Amazonas