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ENTREVISTA - 19/02/2010


COM HILÁRIO DO NASCIMENTO


 

             





       


            O Sr. Hilário do Nascimento é administrador da Regional Administrativa da Enseada e concedeu esta entrevista, na qual descreveu a importância das regiões administrativas nas comunidades e seu trabalho junto ao governo municipal, principalmente agora, com a reconstrução das áreas de sua administração, que foram atingidas pelas fortes chuvas do fim do ano.

 

O Sr. Hilário começa dizendo que as regionais foram criadas como forma de ajudar o governo a administrar as comunidades, ou seja, fazer a manutenção dos bairros. Este sistema foi criado há uns 20 anos atrás, mas foi a partir do governo de Fernando Jordão que as regiões administrativas tomaram um rumo mais significativo.

O Sr. Hilário começa a falar da situação da cidade após as chuvas do fim do ano, que atingiram diversas pessoas:

O governo está se empenhando de forma arrojada e eu diria que está sendo muito corajoso em enfrentar de perto os problemas em tão curto prazo, ou seja, entre o fim de ano e o Carnaval, muitas coisas já foram feitas. No outro dia do ocorrido estávamos todos nas ruas, o prefeito, o vice, os administradores das regionais, o secretário de obras, a câmara de vereadores...Todos nós estamos nos esforçando para fazer o necessário, sem medir esforços; mas críticas acontecem, nem Jesus Cristo agradou a todos. Eu me orgulho de participar deste governo, porque o baque foi muito grande e a resposta muito rápida. Tem de ter pulso, força e vontade política; administrar o que tem. Tem muita coisa ainda para fazer, é preciso ter paciência, compreensão...”

 

Angra avançou muito no último governo, só lamento não ter trabalhado nele, mas acredito que o governo atual vai ser tão bom quanto o anterior. O Fernando Jordão fez muita coisa, deixou o mínimo para o outro governo fazer. Mas a mão Divina já mandou alguma coisa, para quem sabe o novo governo mostrar sua capacidade profissional.”

 

Ao ser perguntado se as regionais priorizam o turismo além de obras de manutenção, o Sr. Hilário respondeu:

 

A preocupação é com a manutenção...mas de uma forma ou de outra tudo está ligado ao turismo, porque quando se melhora algo como as estradas, faz limpeza nas praias, etc., acaba atingindo também o turista.”

 

A Regional do Encruzo da Enseada atinge o Morro da Cruz na divisa do Morro da Glória II, parte da Rio-Santos até o Campo Belo, aí pega a Viação Senhor do Bonfim até a Enseada, a uns 200 a 300 metros da Praia da Ribeira. E aí cada região tem uma administração, o Belém é outra, a Japuíba tem outra e o administrador da Japuíba é o João Massad, que deu um grande apoio ao Tuca Jordão devido a sua experiência no governo anterior.”

 

Em relação aos desalojados da tragédia do fim do ano, o sr. Hilário comenta:

 

Dá dó de ver o Morro da Carioca daquele jeito... quantas pessoas perderam a vida, suas casas, dói ao ver alguém perder seu teto, ter que deixar sua casa, mas é preciso fazer, o pessoal precisa ter paciência e compreensão para sair quando necessário. Se existisse planejamento há algum tempo atrás, isso não teria acontecido.”

 

Foi pedido ao sr. Hilário que fizesse uma comparação com o passado e o presente da Estrada do Contorno:

 

Na Estrada do Contorno, onde tudo começou, vivia-se do cultivo da lavoura, da pesca, depois veio o Estaleiro, os empreendimentos, as desapropriações...O metalúrgico era considerado privilegiado, tinha sua renda mensal. É claro que a vida era mais difícil para quem sobrevivia da lavoura e da pesca, mas era mais saudável, a Estrada do Contorno só tinha árvores, a encosta linda, não havia depredação.”

 

O sr. Hilário falou sobre os dias seguintes aos deslizamentos, na Estrada do Contorno:

No dia seguinte às quedas de barreiras, uma turista de mais ou menos 50 anos, com os sapatos na mão, que estava tentando chegar a sua pousada, na Estrada do Contorno, virou para mim e disse: ‘Eu estou decepcionada com a sua cidade. O seu governo não estava preparado para uma tragédia como esta. Na minha cidade não acontece isso porque o governo de lá está preparado.’ Eu estava com uma bota até o joelho cheia de lama, machado na mão para cortar mato, os homens estavam com serra retirando árvores do caminho, para que as pessoas pudessem chegar as suas pousadas, e aí eu disse para ela: Minha senhora, infelizmente foi um fenômeno da natureza, qual governo está preparado para isso? A mão de quem construiu é que destrói na hora que acha que tem de destruir e nós estamos aqui trabalhando e o governo é ótimo! Eu perguntei de onde ela era e ela disse que era do Rio Grande do Sul e alguns meses atrás o senador Pedro Simon, que é do Rio Grande do Sul estava pedindo socorro no Senado. Eu falei para ela levar nossos parabéns ao seu prefeito, que não é igual, mas é um pouquinho mais do que o filho Daquele que construiu o universo. Passaram 15 dias e a cidadezinha onde ela mora passou pelo mesmo problema. Então, não existe ninguém que administre o tal do fenômeno da natureza. Agora, quando chove, eu fico desesperado. Eu morava em Praia Brava, lá eu convivia com o mar bravo, tempestade, raios e trovões e o que eu vivenciei nesses dias da tragédia me deixou chocado. Então, não adianta ficar olhando o passado, tem de trabalhar e todos os dias eu e meu pessoal estamos monitorando a Estrada do Contorno. A gente olha para trás e acha que o passado era maravilhoso, mas vamos trabalhar para fazer um presente bonito também.”