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PIPAS X CEROL - 01/02/2010


Pipa, cafifa, papagaio, arraia...


 

              Não importa que nome tenha nas diversas regiões do Brasil, o que importa é que esse brinquedo que teve origem na China, e primeiramente usado como sinalização militar, é o objeto de diversão dos meninos brasileiros. Coloridas, com rabiola ou sem rabiola, enfeitam e colorem o céu fazendo com que meninos barulhentos e cheios de energia, corram frenéticos em busca de alguma perdida nas disputas que divertem, principalmente nas férias. Quem não se lembra, para quem assistiu, das cenas empolgantes do filme “O Caçador de Pipas” em que os garotos Amir e Hassam brincavam felizes com suas pipas gigantes e coloridas?

Em Angra dos Reis sempre acontece o encontro de pipas na Praia do Anil e neste Domingo, dia 31/01 foi um destes dias em que o céu azul ficou enfeitado pelas coloridas e dançantes pipas. O Japuiba.com entrevistou, na Rua Prefeito João Gregório Galindo, próximo à ponte do Rio Japuíba, o seu Antonio Carlos que mora há 8 meses em Angra e tem uma pequena tenda voltada para esse comércio, chamada Pais e Filhos, originada em Nova Iguaçu. Ele conta que vende todos os tipos de pipas, linhas e carretilhas que são difíceis de encontrar em Angra. Suas pipas variam de 0,60 a 1,50 e conta com a ajuda de 3 rapazes, todos da família. Conta também que chega a ganhar 270,00 por dia só com esses materiais e que pretende iniciar a fabricação das pipas em Angra, já que as atuais foram trazidas de Nova Iguaçu. Seu Antônio diz que é importante se divertir com segurança.

 

Há várias implicações nesta singela e divertida brincadeira que passam despercebidas pelos meninos e até mesmo pelos adultos que também gostam da diversão. Aqui citamos algumas:

 

·        Perseguir pipas nas ruas pode causar atropelamentos, como já aconteceu aqui mesmo, na Japuíba;

·        Pipas enroscadas em fios podem causar seu rompimento, descargas elétricas e cortes de energia;

·        Soltar pipas em lajes causa quedas fatais, como também já aconteceu aqui bem perto, em nossa cidade;

·        E o que vem acontecendo muito no Brasil todo: o cerol, mistura de cola e vidro colocado nas linhas para cortar as pipas dos outros, corta também pescoços de ciclistas e motociclistas, causando morte ou sérias lesões.

 

Hoje, o cerol é considerado um crime e proibido em várias partes do Brasil. Só em 2009 foram 200 acidentes com 37 mortes. No dia 26 de Janeiro deste ano, policiais do Rio interditaram depósitos do maior distribuidor de uma nova linha que está sendo usada, chamada linha chilena, muito mais perigosa do que o cerol tradicional, porque ao invés de vidro moído, tem pó de vidro ou de quartzo e óxido de alumínio, que corta mais e é condutor de energia elétrica. O produto era vendido no Mercadão de Madureira. O Cel Antonio Carlos é consciente em relação aos perigos que rondam as linhas das pipas, diz que não vende linha chilena porque quer viver na paz e acha que os acidentes acontecem por falta de uma área delimitada para os adeptos se divertirem com suas pipas.

Os motoqueiros que não querem ser surpreendidos por um perigo deste tipo, usam um acessório necessário em suas motos, uma antena que segura a linha antes que ela atinja o pescoço do condutor.

Em Angra dos Reis temos um bom exemplo de mobilização contra o cerol, que tem como lema: “Pipa legal não tem cerol”. É o Mustang Moto Clube, que costuma realizar palestras de conscientização nas escolas do município.

Mas, além disso, os pais também devem participar desta conscientização, monitorando a brincadeira de seus filhos, para que imprevistos não aconteçam e que a diversão não venha a se tornar um pesadelo.

 

 

 

Por: Denise Constantino

 

Fonte: www.cerol.com.br e http://rjtv.globo.com/jornalismo