NOTÍCIAS

ESPERANÇA PARA 2010 - Angra dos Reis - 06/01/2010


Era para ser uma linda noite de Ano Novo. Em vez de 2010 começar com estouros de fogos de artifícios, champanhes e o som de taças brindando, o ano novo iniciou-se com estrondos de avalanches de terra, pedra e lama...


Era para ser uma linda noite de Ano Novo. Em vez de 2010 começar com estouros de fogos de artifícios, champanhes e o som de taças brindando, o ano novo iniciou-se com estrondos de avalanches de terra, pedra e lama sobre residências e famílias que comemoravam alegres, deixando um rastro de morte e tristeza, desamparo e aflição entre o povo de Angra dos Reis. No outro dia, o primeiro da virada da década, em vez da tradicional festa no mar, luto, choro, correria, desespero, a procura no meio da lama e dos escombros pelos corpos abatidos pela fúria da natureza. Japuíba, Frade, Morro da Fortaleza, Morro do Carmo, Morro da Glória, Ilha Grande, Vila Velha, Estrada do Contorno, Morro do Santo Antônio, Perequê, Sapinhatuba, Praia do Jardim, Estrada Rio-Santos, etc, além de outros municípios foram atingidos. As encostas ao redor da cidade ficaram totalmente danificadas, feridas abertas no município de Angra dos Reis, que precisarão de médicos capazes e comprometidos para que se cicatrizem.

A chuva caiu torrencialmente durante 3 dias, mas ninguém poderia imaginar que um desastre de tamanha proporção acabaria com o sonho e a alegria de tantos. Não só os de condições humildes foram afetados, mas a fúria implacável das águas agrediu também os que possuem condições financeiras favoráveis, talvez para demonstrar que a natureza não diferencia ricos e pobres, brancos e pretos, trabalhadores e desempregados, jovens e idosos, etc.

 Pareceu, depois, ao sabermos das histórias das vítimas fatais, que muitos estavam no lugar errado, na hora errada. Quem dera poder prever! As duas irmãs de Arujá queriam dormir com a prima, em outro quarto, mas o pai não permitiu. Resultado: os pais sobreviveram, as duas meninas não e o quarto da prima não sofreu dano algum. A jovem Yumi Faracci poderia ter dormido em seu quarto, que não foi atingido pela avalanche que destruiu parte da Pousada Sankay, em Bananal, Ilha Grande, mas preferiu dormir com os amigos, no chão do quarto que foi destruído pela terra e pedras que desceram da montanha. Yumi morreu e virou símbolo do desastre da Praia de Bananal, devido ao seu talento, sua simpatia e grandeza espiritual. Yumi era a única filha do casal donos da pousada. Pessoas de outros municípios, como Arujá e Rio Claro, vieram comemorar o ano novo com amigos e parentes, em Angra dos Reis e só encontraram a morte e a desolação, tanto na Praia de Bananal quanto no Morro da Carioca.

 Destino? Fatalidade? O discurso de todos é o mesmo: o desrespeito pela natureza, a ocupação desordenada das encostas, catástrofe natural...Sim! Podemos chegar à conclusão de que todas as opções estão corretas, mas não adianta o discurso vazio. Todos devem  respeitar o meio ambiente e acho que já sabemos como, basta-nos a ação. O governo reconhece o erro das construções irregulares nos morros, mas o que fizeram enquanto estava acontecendo? Por que as ações não podem ser preventivas em vez de corretivas? O prejuízo, de todas as formas, não seria menor? A Terra está agonizando, mas não só devido às ações desrespeitosas do homem. Todos os elementos – terra, água, fogo e ar estão revoltosos. A terra está despencando em todos os lugares; a água (chuva) está cada vez mais implacável; o calor (fogo) está mais forte a cada ano e os ventos (ar) mais impiedosos (tufões, furacões, tornados).

Mas, se pensarmos no processo natural das coisas: nascimento, maturidade e morte – por que não imaginar que o mesmo acontece com o nosso planeta? Por que temos a pretensão de que nosso planeta deve ser sempre do mesmo jeito que o conhecemos, se já há milhões de anos ele vem passando por transformações? Entender esse processo natural de todo ser vivo nos torna capazes de prever as transformações e minimizar os danos traumáticos, além de que, a destruição, sendo uma fase do processo de renovação é, muitas vezes, necessária para construir novamente de forma melhor e mais consciente. É o ciclo da vida. E, principalmente, torna-se aparente a destruição do material para a construção de uma nova mentalidade voltada para a espiritualidade, para o transcendental.

É claro que nenhuma explicação ou argumento justificará a dor e sofrimento pelas perdas trazidas pela tragédia do início do ano, mas as palavras que nunca devem ser esquecidas e devem estar sempre presentes na mente e no coração de todos são: ESPERANÇA e RECOMEÇO.

 

Que Deus ilumine a todos nós!