Cultura e Arte


Poesias



História da Japuíba em Versos e Trovas( Poema classificado no Concurso de Poesia Brasil dos Reis,cujo tema foi:" Angra do meu Tempo "( 1991).O poema também foi publicado no livro;Memórias da Japuíba de Maria Sebastiana Marques Palmeira no ano de 1997.
Autora: Carmem Lúcia dos Santos ( In Memorian) - Esposa de Nelson Soares de Almeida,neto de Tereza Pinheiro de Almeida.Moradora da Japuíba, Carmem escreveu o poema em 21 de junho de 1991.
 
Eu bem te vi
No meu tempo de menina
Quando ainda pequenino
Na floresta do sertão
 
Asas douradas
qual raios de sol
meu pequeno rouxinol
ti-tico azulão
 
O azul celeste
das asas dos passarinhos
voavam pelos aminhos
a escrever versos de amor
 
O tinteiro era
a própria natureza
que com tamanha riqueza
falava da paz do senhor
 
A passarada
Num constante revoar
Desperta com teu cantar
Lindas histórias de um povo
 
A cachoeira
que desce do Roncador
lava as marcas que ficou
construindo um mundo novo
 
A pele negra
Do lombo do lenhador
profundas marcas ficou
deixando um sentimento do homem
 
Recordação
não me sai do pensamento
revive a cada momento
o que o  tempo não consome
 
O passarado
não esconde o seu segredo
fazem ninho no rochedo
renovando a criação
 
Hoje: a conquista
são 10 anos de luta
o povo em sua labuta
colhe o que semeou
 
Um tronco seco
que ainda tem raízes
vive momentos felizes
neste pedaço de chão
 
Lembro o trator
jogando tudo no chão
sarsa ardente queima os olhos
do povo de pé no chão
 
Os seus casebres
bananeiras,milharal
devorados pelas máquinas
do mais terrível animal
 
Mas os ouvidos
que ouvem a voz da justiça
se reúnem em volta da pista
palmo a palmo,pau a pau
 
Unindo as forças
todos compram a vitória
Japuíba agora é nossa
Vai,inimigo embora
 
Toca a viola
fala da velha Tereza
os pés descalços
alma de pura grandeza
 
Ia e vinha da cidade
'' dispersando" condução
carregando na cabeça
sacos de milho e feijão
 
Quando `a tardinha
ia à bica do empréstimo
quem a viu  jamais esquece
aquela mulher amorosa
 
Pequenina
de andar tão ligeiro
restinho de cativeiro
delicada qual uma rosa
 
O passarinho
bateu asas e foi embora
e o que restou da história
são doce recordação."
 

JAPUÍBA

Era menina  ainda, quando em meio aos manguezais, te ouvi cantar Japú... O canto era mavioso, que eu jamais esqueci... Nos braços de meu avô pela primeira vez te vi... Tuas penas pretas e peito amarelado, logo, logo me encantou... E o ritmo de seu cantar,por demais me impressionou... E comecei a sorrir e a surpreender o vovô... E sempre  por ali com ele passeava, respirava o ar puro e suas histórias escutava... Da Fazenda Japuíba, uma vez vô me contou, que era uma imensidão,que o braço escravo criou.... Falou do Dr.Proença, diziam Comendador... Que tomou posse da terra,dizendo-se benfeitor. E que  a Rainha da Inglaterra tinha o presenteado como doador... E a história contada na região se espalhou... Depois, Dr.Lauro Travassos  foi o seu mantenedor... Era médico dedicado e ao povo todo ajudou... O tempo foi passando e vovô me relatou da fábrica de aguardente, que a Japuíba abrigou... E das esteiras  de palha que Tereza Pinheiro preparou... E do amigo Joãozinho, que ele muito estimou... E das histórias divertidas,que o mesmo lhe relatou... Das plantações de banana, aipim, cana, milho e batata doce. Da cachaça Azuladinha, que depois Cunhãbebe se denominou... E da vida calma e alegre,que a gente dali desfrutou... Das Folias de Reis animadas,da inauguração do aeroporto, da visita de Kubistcheck, que o Estaleiro Verolme inaugurou... Do saudoso senhor Nié ,com quem  muito conversou... Da lembrança, da pista aérea que João  e Jair criou... Do cheiro gostoso de mato,da estrada de terra batida, que em minha memória ficou... Das flores pelos caminhos e bichos soltos, livremente...Dos passeios no Belém, que encantavam toda gente...Depois meu avô partiu, cresci e vi a ambição. Homens invadindo as terras e muita perseguição, querendo expulsar a gente,do belo e humilde rincão. Porém,a luta persiste e o povo é vencedor. Surge então, a Japuíba, bairro de raro valor. Construída com coragem, perseverança e amor.( Concurso de Poesia " Angra do meu Tempo,1991).

 

Autora: Ana Maris

Japuíba

 

 

Quando ouço falar das águas claras de teus rios,

meus olhos brilham somente de imaginar

que um dia essas águas refletiram como nunca mais o luar.

Ouço as senhoras antigas se gabarem,

lavei roupa, nessas águas meus filhos tomavam banho,

nos deliciamos com seus peixes.

Verdes matas de belas montanhas

que cercam acalentando-nos entre elas e o mar.

Fazenda contando história nas ruínas que insistem em permanecer.

Bambuzais, canaviais, moinhos, até a velha estrada ouvi falar.

Terras cobiçadas...

De penas negras e seu bico amarelo,

o imponente Japú não mais posso encontrar.

O trem corta a mata, a estrada cortou seu coração...

dividiu em pedaços e acolheu novos irmãos.

O crescimento veio, à desordem prevaleceu,

mas a história e a cultura

são capazes de resgatar seus filhos,

valorizando suas riquezas. 

 

Carmen Amazonas